17 de mai de 2011

La Marioneta

Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.

Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.

Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.

Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.

Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mario Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida. Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes – te amo, te amo. Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.

Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.

Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...

Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.

Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo.

Johnny Welch

Obs.: Esse poema tem circulado na Internet como sendo de Gabriel García Marquez.
Segundo o site QuatroCantos.com, esse poema é, na verdade, de Johnny Welch, um ventríloquo que trabalha no México, que o fez para o seu boneco de nome Mofles: "Estou muito desapontado por haver escrito alguma coisa e não receber o crédito" disse Johnny Welch, o verdadeiro autor do poema.

13 comentários:

  1. Isso é horrível, ele deve receber todos os créditos. Esse texto é lindo. ''Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.'' Perfeito, me conquistou com essas palavras, e me fez lembrar Shakespeare. (:

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  2. Fico sempre desapontada quando vejo esses enganos de créditos, bom vir aqui e ler a verdade, esclarecer quem escreveu realmente o que, pois seria injusto Johnny Welch não ganhar devidos créditos e milhares de elogios por essas palavras tão lindas, acho que a narrativa como uma marionete tem um pouco a ver com o que eu busco, de aprofundar-se nas coisas, de achar o sentido simples dela, adoro vir aqui e conhecer palavras novas, obrigada por ser essa "caçadora de palavras" e ter esse blog lindo onde se pode vir e ler sempre coisas maravilhosas. Beijo na alma!

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  3. 'Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.'
    e é a mais pura verdade,sempre achando que a felicidade se encontra em algo grandioso,mas ela está nas coisas mais simples da vida!
    Belíssimo esse texto viu?Gostei muito.
    Beijo pra ti,Flor*

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  4. Realmente deve ser triste escrever algo, ainda por cima tão bom e não receber os devidos créditos. Me emocionei bastante, e me parece que apesar deste boneco não nem um pedaço de vida, Johnny Welch faz ele parecer mais humano que muitos de nós.

    Amei.

    P.s.: A imagem é linda, também!

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  5. Que lindo texto
    muito bem escrito
    Parabéns, que seja dado os devidos créditos realmente!
    Juliana

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  6. esses enganos acontecem porque muitos não conhecem os estilos de quem escreve…

    todo nós somos marionetes do destino, dos nossos sentimentos, de nossos amores...

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  7. Texto tocante e verdadeiro. Encantado com a sua sensibilidade em escolhê-lo e sua retidão em creditá-lo corretamente.

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  8. Muitooo bom mesmooo... vai de encontro com o que estava pensando e escrevi no meu blog sem nem ao menos ler isso...
    E que os creditos sejam dados ao verdadeiro autor...

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  9. Show de texto... Isso me faz pensar tantas coisas... Ao ler esse texto, me sinto pegando pegando um bonde no meio do caminho, como se talvez eu o tivesse lido a anos atrás, eu enxergasse as coisas de outra forma. Depois que iniciamos um caminho, muitos sonhos e planos acabam ficando no meio dele, hoje eu nem sei quais são os sonhos que se mantiveram intactos e por isso, não sei dizer se eu pudesse recomeçar, eu saberia seguir sem deixar nada no caminho. Talvez o meu pedido fosse o inverso... talvez eu quisesse virar pano e parar no tempo, viver sem danos e sem sentimentos... meu prazer em ler-te sempre mocinha, Felipe Milianos aqui!

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  10. Que texto lindo e cheio de esperança. Uma lástima o equívoco. Grande beijo!

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  11. "Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se." Que forte este texto.
    Acho horrivel pegarem o texto e creditarem com a pessoa errada. --'

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  12. Cara, sabe o que é foda? É que a gente sabe disso tudo e não faz.

    Texto mt lindo, lindo mesmo. E tem mesmo que se dar os créditos ao autor verdadeiro, que inclusive foi mt feliz ao construir esse texto.

    bj

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  13. Relembrou-me Shakspeare!
    Lindo,lindo!

    "se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse."
    ...gostaria de poder fazer isso,comemorando as consequências disso.

    *BeijoO!Saudade daqui*

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