21 de ago de 2012

Serena

"Eu abordava tudo do meu jeito voraz de sempre, e havia também um elemento de tédio, que tentava manter afastado e não conseguia direito. Qualquer pessoa que ficasse me olhando podia pensar que eu estava consultando uma obra de referência, de tão rápido que eu virava as páginas. E acho que eu estava mesmo, do meu jeito desligado, procurando por algo como uma versão de mim, uma heroína em que eu pudesse entrar como se entra num par de sapatos preferidos. Ou numa blusa de seda selvagem. Pois era o melhor de mim que eu queria, não a moça debruçada de noite, naquela poltrona velha, em cima de um livrinho todo gasto, mas uma jovem senhorita veloz que abria a porta do passageiro de um carro esporte, se inclinava para receber o beijo do seu namorado, corria para um esconderijo no campo. [...] Às vezes o meu alter ego dava brevemente as caras nas entrelinhas [...] E aí sumia - as versões delas eram educadas demais ou inteligentes demais, ou não eram assim tão sozinhas no mundo, para ser eu."





 Ian McEwan

Um comentário:

  1. E quantas vezes eu não me senti personagem de um romance? Mas não um personagem qualquer... O personagem principal do bestseller da minha vida.

    Milhões de beijos

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